Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Chega de rótulos

Escrito por Glauco Tavares em 25 de Novembro de 2009

A visão deste artigo está sob a luz da filosofia oriental, que preza o “estar” em relação ao “ser”.

Quantos rótulos ou apelidos você teve na infância? Eu me lembro de dois que acabei incorporando durante anos de minha vida:

1) Anão: eu era bem pequeno, confesso... Não sou gigante hoje em dia, mas tenho 1,73 metros. Eu carreguei este rótulo durante anos, sempre me sentia menor em qualquer lugar.

2) Topo Gigio: você lembra aquele rato orelhudo da TV? Também passei anos achando que ao invés de orelhas eu tinha um par de asas.

Resumindo, durante muito tempo eu me achava filhote do dumbo, pequeno e orelhudo.

Depois que crescemos os rótulos mudam e passamos à estressado, zen, egoísta, desapegado, mal humorado, ansioso, esforçado, empresário, gordo, magro, feio, bonito, médico, engenheiro, professor, dentre inúmeros outros. Infelizmente temos o péssimo hábito de reduzir uma pessoa a um estado ou uma profissão.

Quando afirmarmos que alguém “é” algum exemplo citado acima ou outro, estamos cometendo um grande equivoco. Na verdade todos “estão” alguma coisa, mas não “são”.

Durante meus devaneios pensei que pelo fato de acharmos que os outros “são” ou que nós “somos” alguma coisa podemos assumir um grande nível de apego por este título, e convenhamos que apego seja algo complicado de se trabalhar. Ninguém gosta de perder o que possui, por isso, gerar apego pelo “ser” alguma coisa pode nos trazer conseqüentemente sofrimento.

Um exemplo simples pode ser como uma pessoa que assumi o rótulo de ser corredor, esportista, e durante um determinado momento tem problema na sua coluna que a impede de praticar atividade física, como correr. O que acontece quando a pessoa acha que ela “é” um corredor? Ela sofre.

O mesmo pode-se dizer de um relacionamento. Quando achamos que “somos” casados parece que este “ser” cria poder sobre o outro, ao passo que simplesmente “estamos” casados. Ou no caso de uma profissão como a minha: professor de yoga, eu não “sou” professor eu apenas “estou”.

“Ser” alguma coisa aprisiona, enjaula, enquanto “estar” liberta e abre novas possibilidades. Quando “estamos” alguma coisa pode ser mais fácil de deixarmos, talvez por isso seja tão difícil nos livrarmos de hábitos e comportamentos uma vez que pensamos que “somos” daquele jeito, quando na verdade apenas “estamos”. Seria como uma roupa que vestimos, “estamos” com ela e no outro dia não mais, é simples, ninguém chora quando tira uma camiseta.

A única certeza que eu tenho de “sermos” algo é “sermos” uma centelha divina, o atman, o purusha, o nosso eu interior.

Tratei de tudo isso acima para dizer que recebi um novo rótulo, agora não mais de anão nem de topo gigio, mas de cristão. Este rótulo veio em função de alguns de meus artigos citarem o nome de Jesus Cristo.

Só que o pior rótulo não é aquele que as pessoas colocam em nós, mas aqueles que nós vestimos como verdade.

Primeiro que eu não teria problema algum em “ser” cristão, mas este rótulo não colocou em mim, pois eu apenas “estou” cristão assim como sempre “estarei” budista em função dos meus anos de estudo sobre a vida de Sidarta Gautama. Meus estudos atuais estão voltados para a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo e a mística cristã, que por respeito a tudo que ele nos deixou e a todo o misticismo cristão posso afirmar que “estarei” sempre cristão.

Nos próximos anos pretendo “estar” judeu, islâmico, taoísta e outros. Minha grande jornada visa Deus, manifestar meu eu interior, a centelha divina que está em mim. Logo, estudar a vida de seres que tiveram esta consciência irá apenas colaborar para meu processo espiritual.

Nós “somos” divinos, embora muitas vezes nos esqueçamos disso. Fora isso, sempre “estaremos” alguma coisa.

Pensemos bem, nós não temos o direito de limitar a infinita capacidade humana a um simples rótulo.

Paz
Glauco Tavares

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

O sentido da vida

Escrito por Glauco Tavares dia 06 de Novembro de 2009 em Itaici – São Paulo

Você já parou para pensar ou se perguntar sobre o sentido da vida? Porque estamos aqui? Para que? Chegar onde?

Ao término de uma de minhas práticas de meditação esta pergunta veio a minha mente e desde então não saiu de minha cabeça. Busquei de imediato uma resposta e dentre elas vieram:

- Cada religião busca dar um sentido a nossa vida:
* budismo: que é de atingirmos o nirvana e, portanto, nos livrarmos do ciclo de nascimento, sofrimento, morte e renascimento (samsara);
* hinduísmo: tem como meta para o ser humano viver o kama (prazer), artha (trabalho e família), dharma (dever moral) e moksha (libertação);
* cristianismo: na minha visão é de vivermos próximo ao Deus Pai com base nos ensinamentos do verbo feito carne Jesus Cristo e, assim, realizarmos o espírito de cristo que há em nós;
* catolicismo: a salvação do ser humano;
* yoga: atingirmos o samadhi, a transcendência, o contato com o divino que existem em nós;
* assim como há o sentido da vida para o islamismo e o judaísmo;
Mas após refletir sobre tudo isso pensei se estes sentidos não seriam muito genéricos e será que servem para todos?

- Pensei se o sentido da vida estaria em alguém como um filho, filha, esposa, pais ou outra pessoa. Mas novamente me questionei: quando esta pessoa morrer morrerá também o meu sentido de viver?

- Pensei também se seria algo material. Mas isso não pode ser um sentido para viver, mas apenas uma meta;

Enfim, qual o sentido da vida? Confesso que ainda não sei e não me obrigo a encontrar uma resposta, prefiro concentrar-me na pergunta.

Digo isso porque tenho notado algo interessante desde que tenho este questionamento presente. Estou ficando melhor em meus relacionamentos com familiares, conhecidos e desconhecidos, em minha maneira de refletir sobre os acontecimentos, na maneira de enxergar as adversidades e até mesmo de me comportar com os outros seres e a natureza.

Quem sabe amanhã ou depois eu chegue a uma conclusão e descubra que eram alguns destes exemplos citados acima o meu “sentido de viver” e perceba que desperdicei bons momentos de praticá-lo.

Pense nisso.

Pax
Glauco Tavares

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Somos livres

Escrito por Glauco Tavares dia 06 de Novembro de 2009 em Itaici – São Paulo

Basta darmos uma escapa de nossa rotina para um sentimento de liberdade aflorar em nós. Acredito que isso já tenha acontecido com você também em uma viagem, um passeio ou um encontro.

Pelo menos foi este sentimento que brotou em mim quando, dirigindo a minha moto pela estrada, estava indo a um retiro no interior de São Paulo. Engraçado esta sensação surgir neste momento, pois absolutamente nada havia acontecido ou mudado em minha vida, apenas a minha localização no globo terrestre.

Mas se este sentimento apareceu é porque me sinto preso, pois caso contrário não o teria. A grande pergunta é porque me sinto preso? O que me prende?

Refletindo sobre esta pergunta percebi como me sinto como um pássaro engaiolado quando estou em meu dia-a-dia, mas que absolutamente nada nem ninguém me prende. Acredito que eu mesmo me aprisiono, pois percebo que nos deixamos envolver por uma sensação de sufocamento pelos nossos afazeres, obrigações, responsabilidades, compromissos, relacionamentos ou agenda. Mas que na minha visão trata-se de uma sensação ilusória, exceto quando perdemos o controle das situações ou deixamos pessoas e acontecimentos assumirem o comando de nossas vidas, neste caso concordo que realmente estaremos presos ou seremos reféns.

Percebi então que minha agenda continuava cheia, meus afazeres pendentes, minhas responsabilidades devendo ser cumpridas e a sensação de liberdade me visitou do mesmo jeito por alguns instantes. Que ótima experiência e como valeu saber que nada me prende a não ser eu mesmo.

Mas que isso também nos sirva de reflexão: que possamos em nosso dia-a-dia nos sentirmos cada vez mais livres, vivos, presentes e atuantes. Sendo responsáveis pelos nossos atos, por nossa maneira de viver e pela nossa liberdade. Assim não daremos espaço para pessoas ou situações nos aprisionarem.

Livre como o vento.
Glauco Tavares

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Praticar o silêncio

Escrito por Glauco Tavares dia 07 de Novembro de 2009, no retiro de silêncio da meditação Cristã, em Itaici – São Paulo

Escrevo este artigo durante os meus dias de silêncio no retiro ao qual participo. Como proposto, resolvi praticar o silêncio não como uma restrição ou um simples cumprimento de uma regra proibitiva, mas sim como uma ótima oportunidade de autoconhecimento e observação sobre o que minha mente fala.

Quem pratica meditação sabe como é fácil calar a voz e como é difícil calar a mente. Ela permanece falando, falando e promovendo inúmeras distrações que nos tiram completamente do momento presente, nos colocando no passado (lembranças) ou no futuro (imaginação).

Mas este silêncio consciente, este calar a voz que no yoga chama-se mauna, nos mostra como somos muito mais agitados do que imaginamos. Silenciando a nossa fala nós vamos gradativamente silenciando a nossa mente, passo-a-passo, e desabrochamos então a nossa consciência, que se manifesta no momento presente, que tem o dom de falar e principalmente de ouvir.

Minha única lamentação é que muitos acabam confundindo silêncio com falta de educação, deixando de cumprimentar, sorrir ou esboçar uma reação. Vi ao término do retiro, quando finalizamos o silêncio, pessoas com um sorriso no rosto contrário a fisionomia que estavam durante o silêncio.

Dom Alexandre, meu orientador espiritual, diz que devemos lembrar que a caridade antecede o silêncio.

Silenciamos
Glauco Tavares

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

O que Deus fez por mim?




Escrito por Glauco Tavares dia 06 de Novembro de 2009 em Itaici – São Paulo






Me deu o dom, da vida;
Me deu o ar, para respirar;
Me deu o sol, para que eu me inspire na força;
Me deu a lua, para que eu me inspire na sabedoria;
Me deu a natureza, para que eu o veja;
Me deu os olhos do coração, para enxergar o que é invisível aos olhos físicos;
Me deu Pais, materiais e espirituais;
Me deu irmãos, humanos e não;
Me deu esposa, filhos e amigos, para que eu tenha com quem compartilhar;
Me deu adversidades, para que eu crescesse;
Me deu paz, para que eu descansasse;
Me deu reflexões, para que eu tivesse mais dúvidas;
Me deu oportunidades, muitas vezes, de começar de novo;
Me poupou, até o momento, da morte;

Como posso retribuir tudo isso, senão com a minha humilde devoção?

Paz
Glauco Tavares