Segunda-feira, Novembro 09, 2009

O que Deus fez por mim?




Escrito por Glauco Tavares dia 06 de Novembro de 2009 em Itaici – São Paulo






Me deu o dom, da vida;
Me deu o ar, para respirar;
Me deu o sol, para que eu me inspire na força;
Me deu a lua, para que eu me inspire na sabedoria;
Me deu a natureza, para que eu o veja;
Me deu os olhos do coração, para enxergar o que é invisível aos olhos físicos;
Me deu Pais, materiais e espirituais;
Me deu irmãos, humanos e não;
Me deu esposa, filhos e amigos, para que eu tenha com quem compartilhar;
Me deu adversidades, para que eu crescesse;
Me deu paz, para que eu descansasse;
Me deu reflexões, para que eu tivesse mais dúvidas;
Me deu oportunidades, muitas vezes, de começar de novo;
Me poupou, até o momento, da morte;

Como posso retribuir tudo isso, senão com a minha humilde devoção?

Paz
Glauco Tavares

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

E se não houver amanhã?

Escrito por Glauco Tavares dia 04 de Outubro de 2009

Este é o nome de uma música de Garth Brooks: "Se não houver amanhã?". A tradução de parte da música é a seguinte:

"Eu fico acordado observando ela dormir
Ela está perdida entre lindos sonhos
Então eu apago as luzes e me deito na escuridão

E pensamentos passam por minha cabeça
E se eu não acordar amanhã?
Será que ela terá dúvidas de que a amei
Com todo o meu coração

Se não houver amanhã...
Ela saberá o quanto eu a amei ?
Será que eu tentei de todas as formas"

Este foi o meu sentimento quando dia 03 de Outubro, as 12h30, quando eu estava almoçando e recebi o telefonema de minha esposa dizendo que minha filha Giovanna, de 4 anos, havia caído e batido a cabeça na quina da escada e estava tomando 4 pontos na cabeça. Minha esposa cuidou de tudo e a Giovanna ficou super bem, mas eu não...

E se ela tivesse morrido? Falo isso de coração, não pela má interpretação da morte, mas pela idéia de que a morte é algo certo na vida de todos que estão vivos e que em algum momento, cedo ou tarde, irá nos visitar. O budismo tem uma visão muito bonita sobre a morte assim como São Bento em sua regra aos monges beneditinos. Que a morte seja um pensamento presente para que possamos, assim, dar mais valor a VIDA.

Voltando ao caso da Giovanna, e se ela tivesse morrido, será que eu teria me esforçado para que ela soubesse o quanto eu a amava? será que não desperdicei vários momentos com ela me fixando em travessuras normais para a sua idade? será que eu não trabalhei demais e deixei ela de lado? será que eu estou acompanhando seu crescimento? será, será, será....Tudo isso são questionamentos que deveríamos fazer com relação a todas as pessoas que são queridas e amadas por nós.

Isso aconteceu comigo com relação ao meu Avô. Eu continuo tendo um amor muito grande por ele mas, pela minha falta de entendimento na época do acontecimento, eu me entristeci muito com uma atitude dele e passei os vários meses sem visitá-lo. Neste período ele adoeceu e faleceu na UTI de um hospital. Acho que eu deixei muito a desejar durante os seus últimos meses de vida e me sinto muito arrependido por isso, mas não tenho mais o que fazer, a não ser continuar amando-o e não deixando que isso aconteça novamente com as outras pessoas que eu amo. Por isso meu sentimento com relação a Giovanna, que eu tenha a chance de fazer o meu melhor, a todo momento, para que eu não deixe algo a desejar a ninguém quando a nossa partida chegar.

Que o senhor esteja em paz velho, saudade.

Glauco Tavares

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Respeito aos limites físicos e emocionais

Escrito por Glauco Tavares em 04 de Outubro de 2009.

Como procuro variar bastante em minhas aulas, proporcionando ao praticante um leque de práticas e conhecimentos dentro do Yoga e do Hatha Yoga, resolvi um dia destes dar uma prática em dupla. A prática caminhou tranquilamente, os praticantes gostaram da experiência em dupla pelo esforço que é realizado, às vezes muito maior do que quando praticamos sozinhos.

Porém, ao final da prática veio-me algumas palavras que fariam uma ponte com a prática sugerida. Quando estávamos encerrando com o Namastê, acendeu-me a luz que dizia como a prática em dupla pode ser uma maneira lúdica de aprendermos a conhecer e respeitar os limites das outras pessoas. Às vezes idealizamos, neste tipo de prática, que podemos exigir de nossa dupla um alongamento que seu corpo não está preparado para oferecer, porém pela sua voz ele nos orienta até onde pode ou não pode ir. Isso é comum em instrutores de hatha yoga já que ministramos práticas para diferentes pessoas com os mais variados níveis de alongamento.

Mas e durante os nossos relacionamentos, nosso dia-a-dia, nossas atividades cotidianas, será que estamos respeitando os limites das pessoas?

Muitas vezes a maior frustração que temos é esperar do outro o que ele ainda não pode, ou nunca poderá, nos oferecer. Isso machuca a nós e também a outra pessoa pois, quando isso é verbalizado, parece que a pessoa é incapaz. Mas na verdade isso não é culpa dela, é nossa pela expectativa gerada mas também por não entendermos e respeitarmos o outro para que tenhamos um relacionamento sem exigências e sem frustrações. Todos nós temos nosssas limitações, uns mais, outros menos, nas diversas áreas de nossa vida.

Na prática em dupla ouvimos a voz do parceiro dizendo "chega" quando avançamos além do seu limite físico. Mas durante a nossa vida cotidiana não ouvimos muitas vezes este sinal e acabamos avançando as limitações emocionais, comportamentais, profissionais e pessoais das pessoas que fazem parte de nossos relacionamentos.

Todas as práticas em dupla terminam muito bem, um parceiro agradecendo ao outro, e finalizamos em um clima muito harmonioso. Isso nos indica que ao respeitarmos os limites das pessoas, nos concentrarmos no que as pessoas podem nos oferecer e tentar fazer o melhor com aquilo que está sendo oferecido poderemos também manter relacionamentos harmoniosos e sem as frustrações corriqueiras geradas pelo excesso de expectativas.

Pax.
Glauco Tavares

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Paz, paz, shanti, shanta...

Escrito por Glauco Tavares, dia 20 de Setembro de 2009

Este é mais um dos artigos que resultam das longas conversas com meu orientador espiritual, Dom Alexandre de Andrade, O.S.B..

Estávamos falando um dia destes sobre a palavra paz. Na língua portuguesa esta palavra existe com o seguinte significado:

Paz (substantivo feminino); 1) Quietação de ânimo. 2) Sossego, tranquilidade. 3) Ausência de guerra, de dissensões. 4) Boa harmonia. 5) Concórdia, reconciliação. 6) Paciência, pachorra.

Porém há uma passagem do Evangelho de João (14:27) onde Jesus diz: “Deixo-vos a minha paz. E a paz que eu dou não é como aquela que o mundo dá. Por isso, não se aflijam nem tenham receio”. Neste contexto Jesus está se referindo a dois tipos de Paz, uma paz que ele dá e outra que o mundo oferece.

Traçando um paralelo com o Sânscrito, observamos que nele existem duas palavras que transmitem o mesmo significado macro: Shanti e Shanta. Ambos significam Paz já que provém do radical sham, que significa “terminar”, “cessar”, “apaziguar”. Porém Shanta tem um sentido mais profundo, segundo João Gonçalves (Doutor em Linguística pela USP e professor de sânscrito):

“Shanta é uma palavra do sânscrito que transmite ao mesmo tempo um conceito e uma sensação. No plano conceitual, o termo Shanta é empregado para nomear um estado de espírito repleto de bem estar, caracterizado por uma quietude interna. Quando sentimos um sossego na alma, dizemos em sânscrito que estamos Shanta. E por ser algo tão bom, não basta definir a palavra – Shanta é para desejar e para sentir. E depois de conquistado, o estado de Shanta deve ser preservado. É uma comunhão consigo mesmo. Por isso, Shanta não é um sentimento propriamente dito, mas também não é falta de sentimento. O equilíbrio das energias que pulsam em nosso ser, a harmonia entre o que coração e a mente desejam, o ato de entrega desinteressado perante a vida, tudo isso é Shanta.

E não se deve imaginar que os problemas deixam de existir. Os conflitos continuam fazendo parte da existência, mas torna-se possível estar em meio a eles sem que penetrem nossa alma. Porque em estado de Shanta, a mente está apaziguada. A descoberta de que não existe melhor objeto a desejar do que nossa própria alma é o caminho que dirige para Shanta. Na seqüência dessa descoberta, percebe-se que tudo o que interessa de verdade está a nosso alcance. É a partir desse momento, em que nada nos falta, que estamos realmente presentes no mundo, com a plenitude de nosso ser. Por isso, Shanta não é ausência, nem omissão. É o equilíbrio que gera a capacidade de lidar com a diversidade da vida, em todas as suas manifestações. É uma conquista que deve ser trabalhada. É a serenidade conquistada através da meditação e do conhecimento das partes mais profundas de nossa alma.”

Unindo este significado à passagem do Evangelho de João citada acima, imagino eu que Jesus estava se referindo portanto aos significados das palavras Shanta e Shanti. Se observamos novamente a passagem podemos entender que: “Deixo-vos a minha paz (SHANTA). E a paz que eu dou não é como aquela que o mundo dá (SHANTI). Por isso, não se aflijam nem tenham receio”.

Pois é fácil para nós estarmos em paz quando tudo ao nosso redor nos possibilita este estado, ou seja, quando estamos na paz que o mundo oferece (shanti). Agora, estarmos em paz quando tudo ao nosso redor nos consome para um estado de agitação, perturbação, nos distancia de nossa essência, este é o nosso verdadeiro desafio. Nos mantermos na Paz que Jesus nos oferece (shanta) para que possamos oferecer a paz ao mundo (shanti).

Que tenhamos, sempre, as duas.
Pax
Glauco Tavares

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

A dança da compaixão








Escrito por Glauco Tavares, dia 20 de Setembro de 2009









Estava eu me dirigindo a um compromisso um dia destes, no centro de São Paulo, quando ao parar em um farol vermelho avistei um homem, morador de rua, dançando na calçada embalado por um som alto que vinha de um bar. Percebi que várias pessoas o assistiam de dentro de seus carros, muitos riam, outros apenas zombavam.

Confesso que minha primeira reação foi de achar engraçado também, senti compaixão e pensei mentalmente como ele era louco. Mas como o semáforo demorou muito para abrir, tive a oportunidade de ficar olhando pelo retrovisor e refletir melhor sobre ele e aquela dança.

Primeiramente percebi que ele não parecia estar alcoolizado não, pois seus passos eram certos. Segundo que ele estava repleto de felicidade, tanto nos seus passos quanto na sua face que, com seu sorriso, transbordava de alegria. Senti imediatamente uma tristeza tão grande pois queria eu estar dançando como ele. Tomou conta de mim um novo sentimento de compaixão, mas agora por mim mesmo. Queria eu, naquele momento, ter 10% da felicidade que estava viva naquele homem. Queria eu ter a disposição de dançar como ele sem se me preocupar com os que assistiam, me importando com o simples fato de estar feliz e ponto. Apenas desfrutar do momento, oferecendo ao mundo o que eu tenho.

Quando o farol abriu, mentalmente, me despedi daquele homem e pedi que ele tivesse compaixão por mim e por todos os que estavam zombando dele, pois acredito que nós somos os loucos da história. Vivemos uma vida muitas vezes sem sentido, em busca de bens, valores, status e deixamos os prazeres simples da vida para segundo plano.

Que um dia eu possa dançar como ele, transbordando de alegria.

Paz e dias melhores para todos nós.
Glauco Tavares